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As ondas de tartarugas verdes em Ubatuba!

07/07/2026 - Pesquisadores observam variações nas características das tartarugas conforme as estações do ano ↓

A Fundação Projeto Tamar pesquisa sobre a interação entre as tartarugas marinhas e pescarias artesanais costeiras em Ubatuba, desde 1991. Com apoio voluntário dos pescadores, foram registradas desde então mais de 14mil capturas incidentais de tartarugas, principalmente indivíduos juvenis de tartarugas verdes (Chelonia mydas).

Com o monitoramento direcionado à pescaria tradicional de cercos flutuantes, foi possível perceber ao longo destes anos um aumento da presença de juvenis de tartarugas verdes na região, tendência que converge com a mudança do status de conservação desta espécie, que deixou de ser considerada ameaçada de extinção na lista oficial do Ministério do Meio Ambiente - MMA em 2022, assim como na lista da União Internacional para Conservação da Natureza - IUCN, em 2025. Apesar da boa notícia, essa espécie segue dependendo de esforços de conservação, para que não volte a ser considerada ameaçada de extinção.

Ao longo destas décadas de estudos, notou-se que a incidência de capturas de tartarugas verdes aumenta nos meses mais frios do ano (maio a agosto), sendo registradas principalmente tartarugas bem pequenas, com comprimentos de carapaça próximos a 30 centímetros. Este padrão foi interpretado pelos pesquisadores como um “recrutamento”, momento em que indivíduos novos estão chegando a Ubatuba, vindos de zonas oceânicas e áreas mais ao sul do país. Em 2025, a média de comprimento de carapaças das tartarugas verdes capturadas entre maio e julho foi de 35,1cm.


Pequenas juvenis de tartarugas verdes, encontradas no inverno

Por outro lado, nos meses mais quentes, entre dezembro a março, são registradas capturas de indivíduos juvenis grandes! No início deste ano, este fato se repetiu, com o aumento da média de comprimentos de carapaça para 49,8cm! Foi capturado inclusive um indivíduo com 88cm de comprimento de carapaça, tamanho raramente registrado nesta região.


Grandes juvenis de tartarugas verdes, encontradas no verão;

Não se sabe ainda a origem destes indivíduos maiores que chegam no verão. Podem ser animais que retornam a Ubatuba, depois de um período fora. Esta hipótese é reforçada pelo aumento do percentual de recapturas, ou seja, o reencontro de indivíduos que foram marcados pelo Projeto Tamar em anos anteriores! Nos meses de inverno, as taxas de recapturas em Ubatuba são baixas, em torno de 5% dos indivíduos registrados. Já no verão, esta taxa de recapturas dobra, ficando em torno de 10%.

Estudos realizados em outros países demonstraram que existem ciclos de migração sazonal das tartarugas verdes, que fogem do frio buscando águas mais quentes nos meses de inverno, e retornando aos seus locais de alimentação nas estações mais quentes do ano.

Apesar das tartarugas marinhas serem animais solitários, grupos de indivíduos (também chamados de “coortes”), de características semelhantes como origem natal, idade e tamanho, realizam deslocamentos migratórios semelhantes e simultâneos, como “ondas de tartarugas” que chegam e partem! 

A continuidade dos estudos de longo prazo é fundamental para compreensão do complexo ciclo de vida das tartarugas marinhas, em especial sobre o uso de habitats, comportamentos migratórios e tendências de crescimento populacional!

A colaboração voluntária dos pescadores em Ubatuba é fundamental para o avanço do conhecimento sobre a vida das tartarugas verdes no Brasil.

Tartaruga Tartaruga-cabeçuda ou Tartaruga-mestiça

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