29/07/2026 - Em ano de Copa do Mundo, as tartarugas marinhas também entraram em campo e fizeram a torcida vibrar. ↓
A temporada reprodutiva, iniciada em agosto de 2025 e estendida até julho de 2026, registrou números expressivos: um aumento de cerca de 15% no número de ninhos em relação à média das três últimas temporadas, o que equivale a mais de 4 mil ninhos acima da média. O resultado? Aproximadamente 2,5 milhões de filhotes nascidos, distribuídos entre as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil.

Sergipe e Bahia concentram mais de 70% das ocorrências reprodutivas, seguidos pelo Espírito Santo, pelo Rio de Janeiro, pelo Rio Grande do Norte e pelo Parque Nacional de Fernando de Noronha. Ao todo, o monitoramento realizado pela Fundação Projeto Tamar abrange mais de 1.100 km do litoral brasileiro, com equipes em campo diariamente para proteger e acompanhar as áreas de desova. Ainda assim, as ameaças persistem. Com o avanço da ocupação da faixa litorânea e a supressão da vegetação de restinga, a dinâmica natural das praias é alterada, o que intensifica a poluição luminosa, favorece processos erosivos e aumenta a vulnerabilidade dos ninhos a ações de predadores. Em alguns trechos monitorados, as taxas de predação chegaram a 80%, reduzindo significativamente o número de filhotes que conseguem chegar ao mar. Em média ao longo das praias esse número chega a 25%.

A boa notícia é que a conscientização está crescendo. Órgãos ambientais e comunidades estão mais atentos aos problemas causados pela iluminação artificial nas praias de reprodução. Aos poucos, as mudanças estão acontecendo, garantindo praias mais seguras para fêmeas e filhotes, que muitas vezes ficam desorientados e acabam se tornando presas fáceis para predadores.

Além do monitoramento nas praias, a Fundação desenvolve atividades de sensibilização ambiental junto às comunidades litorâneas e nos museus das tartarugas, que recebem visitantes ao longo de todo o ano. Os projetos sociais implantados em comunidades litorâneas promovem alternativas econômicas sustentáveis em consonância com 14 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, contribuindo diretamente para uma melhor qualidade de vida nas regiões atendidas.
Nesta temporada reprodutiva 2025/26, no total, foram monitorados cerca de 31 mil ninhos no litoral brasileiro, dos quais quase 70% são de Lepidochelys olivacea (tartaruga-oliva) e Caretta caretta (tartaruga-cabeçuda). No mesmo período, também foram registrados quase 3 mil encalhes de tartarugas marinhas, dos quais 50% de tartarugas-verdes e 30% de tartarugas-oliva. Esses registros são uma importante fonte de informação para a definição de estratégias de conservação, pois cada ocorrência ajuda a compreender melhor as ameaças enfrentadas pelas espécies, a identificar padrões e a direcionar ações de mitigação e proteção.

A coleta de amostras e dados, aliada às pesquisas aplicadas, contribui para conhecer melhor as tartarugas marinhas, sua importância para os oceanos e o papel fundamental que desempenham no equilíbrio da vida na Terra.
Encerramos mais uma temporada reprodutiva com novos aprendizados e já nos preparamos para o próximo ciclo, com o compromisso de continuar protegendo as tartarugas marinhas. Que venham novos ninhos, fêmeas e filhotes para protegermos!
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