07/12/2011 - SE e Pontal do Peba/AL são as áreas com maior percentual de mortalidade da tartaruga oliva no litoral brasileiro. ↓
As equipes do Projeto Tamar vêm observando desde setembro, início desta temporada reprodutiva (2011/2012) que vai até março próximo, um índice de redução, em torno de 40%, no número de tartarugas mortas nas praias de Sergipe e Pontal do Peba em Alagoas. Estas são as áreas com maior percentual de mortalidade da tartaruga oliva (Lepidochelys olivacea) no litoral brasileiro.
Segundo o coordenador regional do Tamar em Sergipe/Alagoas, engenheiro de pesca Cesar Coelho, esta redução na mortalidade de tartarugas pela pesca pode ser atribuída a uma mudança da frota pesqueira no estado. Primeiro porque embarcações do Espírito Santo que se dedicam exclusivamente à captura de atuns e afins vieram para Sergipe; além disso, a própria frota camaroneira local está migrando para o atum.
Para as tartarugas, explica Cesar Coelho, esta mudança pode ser favorável, por conta da redução na captura incidental, pois a pesca do atum, feita com linha de mão, tem menor incidência de captura de tartaruga. Mas nem tudo é alegria, adverte, pois não se conhece o tamanho dos estoques de atuns, as embarcações não estão devidamente licenciadas e a captura destas espécies é regulamentada por convenções internacionais. “Isso pode gerar, no futuro, outros conflitos, principalmente se a pescaria do atum passar a utilizar o espinhel de superfície, que possui alta interação com as tartarugas marinhas”, completa o coordenador do Tamar.
Facilidade e preço – As embarcações capixabas escolheram o litoral de Sergipe devido à presença constante de sondas de perfuração de poços de petróleo, equipamentos que funcionam como atratores para os atuns, facilitando a captura dos cardumes que se reúnem em torno dessas estruturas. Outro fator relevante é o maior valor de mercado que atualmente o atum alcança, em relação ao camarão.
Foram a queda na produtividade da pesca do camarão e os baixos preços de mercado que fizeram os barcos camaroneiros mudarem para o atum. Hoje, cerca de 30% dos barcos de Pirambu estão nesta pescaria, sem contar os de Aracaju e do Pontal do Peba. Outra parte da frota deve se iniciar na nova atividade agora em dezembro, com o início do defeso do camarão (1º/12).
Como não há mercado local, pois se trata de espécies pouco exploradas em Sergipe, todo a pescaria de atum é exportada ou transportada em caminhões frigoríficos para as indústrias do sul do País.
A pesca de camarão é atividade econômica tradicionalmente desenvolvida em Pirambu, um dos principais portos camaroneiros do Nordeste, com aproximadamente 30 embarcações e uma área de pesca distribuída do sul do litoral de Alagoas ao norte da Bahia, passando por toda a costa de Sergipe.
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