16/02/2013 - A espécie criticamente ameaçada de extinção em níveis nacional e internacional utiliza o refúgio para desovar. ↓
Três dos nove quilômetros dessa faixa de praia tão famosa são ocupados por imensos costões, as falésias de arenito cor de rosa que parecem estar pegando fogo, quando recebem a luz do sol nascente. É daí que vem o nome, Barreira do Inferno. Aqui fica o Centro de Lançamentos, uma base científica localizada nos municípios de Parnamirim e Natal, no Rio Grande do Norte. É de lá que a Aeronáutica lança sondas suborbitais e monitora lançamentos de outros locais do globo situados na região equatorial.
Como a segurança dessas operações requer uma vasta área no seu entorno, os nove quilômetros de costa situados em sua região de influência foram mantidos sem ocupação desde 1965, quando a base militar foi instalada. Melhor para as tartarugas de pente (Eretmochelys imbricata) - espécie criticamente ameaçada em níveis nacional e internacional -, pois as praias da Barreira do Inferno permanecem isoladas e protegidas, totalmente no escuro durante a noite, constituindo-se assim em um perfeito refúgio para as tartarugas desovarem.
Além do mais, as praias vizinhas, de Ponta Negra e Cotovelo, são muito adensadas de construções, com grandes modificações antropogênicas na orla, e estão cercadas pelo alto índice de ocupação humana. “Mesmo cercada por áreas urbanas”, ressalta o coordenador regional do Tamar em Pernambuco e Rio Grande do Norte, biólogo Armando Barsante, “a Barreira do Inferno mantém as condições adequadas para a reprodução e por isso as tartarugas continuam fazendo seus ninhos em suas praias”.
Importância biológica - A área da Barreira apresenta uma das maiores densidades de desova da tartaruga de pente no Atlantico Sul. O Tamar monitora as desovas nas suas praias desde 2005, com a cooperação dos militares. A partir de 2010, essa parceria foi formalizada, através de convênio com o Ministério da Defesa/Comando da Aeronáutica/Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno. Hoje, a Barreira é uma sub-base de Pipa, única base de pesquisa e conservação mantida pelo Projeto no Rio Grande do Norte.
Desde o início, foram marcadas cerca de 80 fêmeas desovando. Destas, a metade já remigrou de volta para a mesma praia (ou seja, as fêmeas foram vistas novamente entre dois e três anos depois). A cada ano, em média, são registrados 124 ninhos. No acumulado, desde 2005, a Barreira registra aproximadamente 900 ninhos e mais de 60 mil filhotes gerados.
Cerca de 100 deles foram soltos ao mar pela presidente Dilma Roussef, durante a temporada 2011/2012, na segunda-feira de Carnaval, quando a presidente descansava com a família no hotel de trânsito do Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno.
Nesta temporada reprodutiva de 2012/2013, que começou em novembro e vai até maio próximo, a expectativa é de que a Barreira registre pelo menos 120 desovas, com geração estimada de 10 mil filhotes.
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