26/07/2013 - A ICCAT analisa a conservação dos atuns no Atlântico do ponto de vista ecossistêmico. ↓
O Subcomitê de Ecossistemas da Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico - ICCAT - realizou em julho (1 a 6), na sede da Comissão, em Madri/Espanha, uma reunião com participantes de Brasil, Barbados, Uruguai, EUA, Argélia, Marrocos, Japão, Taiwan, Namíbia, Portugal e Espanha. O Brasil foi representado por dois pesquisadores do Projeto Tamar/ICMBio, que contribuíram com a experiência do Programa Interação Tartarugas Marinhas e Pesca. Em outubro/2013, uma nova reunião definirá recomendações a serem seguidas pelos países membros para unificar práticas para combater uma das principais ameaças à vida desses animais: a captura incidental por aparelhos de pesca.
O objetivo principal das reuniões periódicas da ICCAT é analisar a conservação dos atuns no Atlântico do ponto de vista ecossistêmico, considerando todos os organismos e fatores que interagem com essa pescaria, entre eles as tartarugas, aves e mamíferos marinhos. A captura incidental de tartarugas pela pesca foi um dos principais temas discutidos, com apresentações de casos em diferentes países.
Como explica o coordenador do Programa Interação Tartarugas Marinhas e Pesca do Tamar/ICMBio, Gilberto Sales, o aporte constante de informações sobre capturas em frotas de espinhel que Brasil e Uruguai vem fazendo desde 2005 foi indicado como exemplo a ser seguido. As informações vão compor o ERA, Ecological Risk Assessment, documento que fará recomendações aos países membros da ICCAT para unificar as metodologias de coleta de dados, monitoramento, abordagens e mitigação da ameaça.
Tartarugas marinhas e a pesca - O Tamar executa, desde 2001, o Programa Interação Tartarugas Marinhas e Pesca para enfrentar a mortalidade desses animais causada pelas diferentes pescarias. O programa inclui diversas ações junto à frota de espinhel de superfície. No porto de Itajaí/SC, por exemplo, os pesquisadores do Tamar, utilizando bote inflável em saídas semanais, monitoram toda extensão do rio Itajai-Açú, onde são contabilizadas e acompanhadas as embarcações que atuam nesta pescaria.
Anzol J (esq.) e anzol circular (dir.) - A substituição dos anzóis comuns tipo J pelos anzóis circulares agride menos as tartarugas, pois reduz a captura em cerca de 60% e aumenta as chances de sobrevivência pós-captura.
O Tamar realiza também embarques de observadores científicos para monitoramento e implementação de medidas mitigadoras (anzol circular, desenganchador de anzol e cortador de linha) para reduzir a captura e a mortalidade das tartarugas. Constantemente, são realizadas entrevistas com mestres das embarcações para caracterização das pescarias. Os resultados dos testes com o anzol circular são divulgados através de vídeos, palestras e conversas informais com os pescadores.
Através desse Programa, o Tamar monitora uma parte importante da frota de espinhel de superfície que atua no Sudeste e Sul do Brasil e em águas internacionais em frente às costas brasileira e uruguaia, região onde são registradas altas taxas de captura de tartarugas marinhas, principalmente de cabeçudas (Caretta caretta) e tartarugas de couro (Dermochelys coriacea).

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