30/04/2014 - A presença da base militar garante a proteção do trecho de litoral e das tartarugas que desovam na região. Leia mais. ↓
No Rio Grande do Norte, o Projeto Tamar monitora 42 quilômetros de praias no litoral sul, incluindo 6 quilômetros entre Natal e Parnamirim, onde fica localizada a base da aeronáutica conhecida como CLBI (Centro de Lançamento Barreira do Inferno). A presença da base militar, existente há 50 anos no local, garantiu a proteção deste trecho de litoral e das tartarugas que desovam na região, contando também com o apoio da agência ambiental estadual IDEMA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente).
Entre novembro de 2013 e março de 2014, foram registrados 102 ninhos de tartarugas marinhas, sendo 97 de tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), 4 de tartaruga-verde (Chelonia mydas) e 1 de tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), nesse trecho de 6 quilômetros. Embora a área do CLBI esteja protegida contra a pressão humana, os ninhos das tartarugas não estão a salvo dos predadores naturais. O principal predador é a raposa (Cerdocyon thous), que devora os ovos logo após a desova, ainda durante a noite. Com objetivo de proteger os ninhos, são fixadas telas que permitem que os filhotes nasçam em segurança e cheguem à superfície, e impedem que as raposas alcancem os ovos, conta o coordenado do Tamar, Armando J. B. Santos. No entanto, a tela precisa ser afixada logo após a desova, caso contrário, quando amanhecer já não resta nada.
Para realizar o monitoramento noturno o Tamar conta com o apoio direto do comando da aeronáutica, através do “Programa de Militares Voluntários”, que têm a oportunidade de auxiliar a equipe no trabalho de campo. Além do CLBI, o IDEMA também contribui disponibilizando um quadriciclo para a atividade.

Militares ajudam a segurar uma tartaruga-de-pente para marcação e coleta de dados e aproveitam para registrar o momento.
Como as fêmeas desovam à noite e levam cerca de uma hora para confeccionar o ninho antes de voltar para a água, a cada 40 minutos toda a área da Barreira é monitorada. Este esforço noturno é mantido de 10 de dezembro até o meio de abril, período em que as desovas ocorrem em maior número. A equipe de monitoramento noturno é composta por um ou dois voluntários militares e um pesquisador do Tamar. Durante as rondas, as fêmeas são marcadas e logo após é fixada a tela de proteção nos ninhos.
Apesar do esforço para a proteção das desovas, cerca de 50% dos ninhos já foram predados por raposas nesta temporada de 2013/2014. A perda de ninhos por raposa no CLBI já chegou a mais de 70% em anos anteriores, e poderia chegar próximo de 100%, caso não houvesse a instalação das telas de proteção e o auxílio do veículo. Leva-se cerca de duas horas para percorrer todo o trecho a pé, então se não houvesse o quadriciclo, no retorno da primeira ronda, os ninhos que ocorrem no início da praia já estariam destruídos antes da colocação da tela, explica o coordenador do Tamar.
O estado do Rio Grande do Norte é área prioritária de desova de tartaruga-de-pente, espécie criticamente ameaçada de extinção no Brasil e no mundo, com praias que chegam a reunir até 50 ninhos por quilômetro.
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