17/06/2015 - Medida mitigadora da captura incidental de tartarugas marinhas na pesca com redes de espera de superfície é difundida no litoral de São Paulo. Leia mais. ↓
A partir do conhecimento tradicional dos pescadores que colaboraram com uma pesquisa de dois anos, o Projeto Tamar confirmou que a maioria das tartarugas-verdes (Chelonia mydas) capturadas incidentalmente junto aos costões rochosos em Ubatuba-SP, se enroscam nas redes de espera durante o dia, período em que estão ativas alimentando-se de algas. Durante a noite, elas permanecem horas em repouso, diminuindo o risco de ficarem presas nas redes. Por essa razão, o Tamar organizou no município reuniões com os pescadores artesanais para apresentar resultados da pesquisa e propor a redução da pesca durante o dia.
O principal argumento é o fato das espécies-alvo (peixes de interesse comercial) da pesca na região terem hábito contrário ao das tartarugas marinhas, sendo mais ativas durante a noite, período em que são mais capturadas. Como defende o coordenador do Tamar em Ubatuba, Henrique Becker, "pudemos comprovar que a mudança na forma de pescar com estas redes costeiras contribui muito para a proteção das tartarugas, com mínimo prejuízo à atividade dos pescadores. Propomos que eles priorizem manter as redes na água somente à noite, quando maior quantidade de peixes poderá ser obtida e menor será a interação com as tartarugas".
Segundo Becker, a maioria dos pescadores concordou com os resultados da pesquisa, além de apontar pontos positivos e dificuldades na mudança da prática de pesca. Deve-se levar em conta questões importantes como a segurança na navegação noturna, por exemplo. Grande parte dos pescadores que praticam esta pescaria no município já participaram de outros encontros sobre o mesmo tema e acompanharam o desenvolvimento da pesquisa, manifestaram suas opiniões. Outros, que não puderam participar das reuniões, foram visitados pela equipe do Tamar em seus locais de trabalho e receberam também as informações.
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