09/01/2020 - O problema da captura incidental de tartarugas marinhas na pesca de arrasto de camarão é antigo e os primeiros relatos internacionais são dos anos 70, no Golfo do México. ↓
O problema da captura incidental de tartarugas marinhas na pesca de arrasto de camarão é antigo e os primeiros relatos internacionais são dos anos 70, no Golfo do México. No Brasil, o primeiro estudo que quantificou essa captura foi publicado somente em 2013, pela Drª Danielle Monteiro, do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental – NEMA/RS. No entanto, foi somente em 2017 que a Drª Suzana Guimarães (Projeto Aruanã) e colegas publicaram o primeiro artigo científico abordando essa problemática (https://www.cambridge.org/core/journals/journal-of-the-marine-biological-association-of-the-united-kingdom/article/incidental-capture-of-sea-turtles-by-industrial-bottom-trawl-fishery-in-the-tropical-southwestern-atlantic/280BD12E6894F14384FF3AC39F58C874). Este estudo foi realizado na região sudeste, abrangendo o sul do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo e evidenciou a captura de três espécies de tartarugas marinhas pelas frotas de arrasto voltadas para a captura de camarões e peixes demersais: tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e tartaruga-verde (Chelonia mydas).
Recentemente, os resultados de um novo estudo desenvolvido com o apoio do Projeto Tamar/Fundação Pró-Tamar foram publicados, trazendo robustas contribuições sobre a interação das tartarugas marinhas com as pescarias de arrasto de camarão e peixes demersais no sudeste do Brasil (https://onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.1002/aqc.3252). Essa pesquisa, liderada pela Drª Alícia Bertoloto Tagliolatto (Projeto Aruanã / Universidade Federal Fluminense), é um ótimo exemplo de como a união entre pescadores e pesquisadores pode gerar bons frutos e ampliar o conhecimento científico, uma vez que toda a informação de esforço de pesca e captura de tartarugas foi coletada de maneira voluntária pelos próprios pescadores. Realizado entre 2015 e 2018, o estudo acompanhou 9.362 lances de pesca de barcos industriais de arrasto de fundo que operaram entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, foram capturadas 201 tartarugas marinhas. A tartaruga-cabeçuda foi a espécie mais capturada respondendo por 52.2% das capturas, seguida pela tartaruga-oliva (38,8%). Em menor quantidade também foram registradas capturas de tartaruga-verde (5,5%) e de tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) (3,0%), além de uma tartaruga que não foi possível identificar a espécie.
Entre os animais capturados, 14 chegaram a bordo das embarcações já mortos. Dez desses animais mortos foram marcados com marcas plásticas e devolvidos ao mar com o objetivo de identificar onde esses animais encalhariam, a partir do ponto em que foram soltos. No entanto, curiosamente, nenhuma dessas tartarugas encalhou. Tal fato sugere que a quantidade de tartarugas encalhadas nas praias provavelmente representa um número subestimado em relação ao total de tartarugas que morrem em decorrência das capturas incidentais na pesca, o que torna a questão das capturas incidentais ainda mais preocupante.
O estudo da Drª Tagliolatto chega num momento mais que oportuno, uma vez que está em curso no Brasil uma iniciativa liderada pelo Projeto REBYC –II LAC / FAO, na qual uma das propostas é justamente testar e adaptar o TED (dispositivo excluidor de tartarugas) à frota de arrasto de camarão (https://www.tamar.org.br/noticia1.php?cod=924). Atualmente o TED está sendo testado em Sergipe, São Paulo (Ubatuba) e Espírito Santo (Vitória). Portanto, o conhecimento aportado no estudo recém-publicado gera subsídios importantes para iniciativas como essa do REBYC e outras que buscam soluções para minimizar a captura incidental e mortalidade de tartarugas marinhas nas pescarias de arrasto de fundo.
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